Quando uma relação termina, não se pode assumir que perdemos apenas aquela pessoa. Que só e unicamente aquela pessoa deixou de fazer parte da nossa vida. Perde-se também outras coisas…
Perde-se, a rotina, os planos pensados e partilhados em conjunto, as trocas de mensagens, a presença e todas as pequenas coisas que eram partilhadas e vividas com o outro elemento da relação e que, de repente, deixam de existir. Tudo a que se estava habituado e que fazia parte do dia-a-dia deixa de estar presente com a rutura dessa relação.
Esse é um dos fatores que pode fazer com que o fim de uma relação doa, mesmo quando sabemos que a decisão foi ponderada e que foi a decisão mais acertada a tomar. Mesmo quando se sabe que, após esse término, se é invadido por pensamentos e emoções intensas.
O cérebro não faz o luto apenas da pessoa. Faz o luto pelo passado vivido com o outro elemento, pelo futuro planeado, pelas expectativas, pelas necessidades que deixaram de estar satisfeitas, pelos hábitos e pelas rotinas que estavam presentes diariamente.
É preciso tempo para fazer este luto e para reintegrar a nova realidade. E não existe um tempo mínimo ou máximo para todo este processo. Não há uma forma certa de ultrapassar um término! É um processo muito idiossincrático e pessoal, e que cada pessoa vive de maneira distinta, mesmo em diferentes términos.
Mas uma coisa é comum a todos: é necessário que o próprio cérebro integre todo este processo e esta nova fase. Acelerar este processo para minimizar o sofrimento não é, necessariamente, a melhor opção, pelo contrário, pode até atrasar.
Respeite o seu tempo e a sua dor.


