Pais sobrecarregados com as férias dos filhos

As férias dos filhos chegam e para muitos pais, começa a maratona.

Gerir horários, atividades, trabalho, refeições, ecrãs, birras, avós, logística… tudo isto enquanto tenta ser uma pessoa minimamente funcional.

E depois vem a culpa: “Devia brincar mais.” “Devia ter mais paciência.” “Devia estar a aproveitar melhor.”.

Mas estar sobrecarregado não significa amar menos os seus filhos.

Significa que está a tentar responder a muitas necessidades ao mesmo tempo.

Os pais também precisam de pausa. E isso não os torna maus pais, torna-os mais humanos.

As férias, para as crianças, são sinónimo de descanso e brincadeiras. No entanto, para muitos pais, que continuam a ter os seus compromissos profissionais, gerir este tempo pode tornar-se um grande desafio. Esta realidade, pode gerar sentimentos de culpa, frustração e instabilidade emocional. Validar essas emoções, sem julgamento é fundamental para o autoconhecimento.

É importante continuar a manter uma rotina consistente, terem horas de acordar e de deitar, horas de refeição, saberem quais os espaços que podem utilizar para fazer as atividades destinadas ao dia. Uma rotina organizada e leve é um grande passo para o bem estar emocional da criança e, da restante família.

Organizar e propor atividades planeadas que ocupem as crianças pode ser um passo para o descanso. Desafios diários, jogos, momentos de expressão criativa, ajudar em tarefas de casa. O mais importante é possibilitar experiências que promovam conexão, autonomia e autoestima.

Recorrer às redes de apoio também é uma ajuda imprescindível. Nem todas as famílias têm possibilidades para colocar os filhos em ATL, nem todos os familiares estão disponíveis, então, pode ser vantajoso articular com vizinhos de confiança, amigos ou outros pais que estejam na mesma situação. A partilha de cuidados e a articulação com uma rede de apoio informal são estratégias excelentes, económicas e muito eficazes para colmatar as férias escolares ou a falta de ATL.

Pode ser, igualmente importante, ter uma conversa honesta com o seu filho e explicar a dinâmica de casa e a importância dos adultos terem de cumprir as responsabilidades profissionais mesmo as crianças estando de férias. É uma oportunidade para a criança gerir expectativas, consciencializar-se e colaborar.

O bem estar da criança depende muito do bem estar do adulto. Adiar o autocuidado, ignorar sinais de exaustão e pressão não é uma boa estratégia. É fundamental cuidar de si para, poder cuidar dos outros.

Procurar apoio psicológico ou orientação parental nesta fase pode ser fulcral.

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Sara Cruz

No nosso blog vai poder ler artigos escritos pelas nossas psicólogas sobre temas da atualidade e saúde mental.

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