Passar de “não sei que dia da semana é!” para vinte notificações no e-mail e um alarme a tocar às sete da manhã custa e, por isso, é normal que, após as férias, sinta um desconforto difícil de nomear. É natural que, por vezes, dê por si a pensar: “Como é que eu metia esta rotina de trabalho em prática, antes das férias? Parece que não me recordo… parece tudo tão difícil, agora!”.
Na verdade, existe uma expectativa irrealista sobre a forma como deveríamos reagir a esta transição “férias – trabalho”. Assumimos que, após uns dias de descanso, basta abrir a agenda para que tudo volte ao normal, como se bastasse carregar num botão para entrarmos logo em “modo trabalho”. No entanto, o regresso à rotina mexe com muito mais do que o calendário. De um momento para o outro, a autonomia dá lugar à exigência contínua: voltam os horários rígidos, as lancheiras por preparar, os trabalhos de casa e as reuniões sem fim. E é precisamente com esta acumulação de tarefas que ressurge a sensação, quase sufocante, de que o dia já está inteiramente decidido, antes sequer de começarmos a vivê-lo.
No fundo, o verdadeiro desafio não é voltar ao trabalho em si, mas sim voltar ao ritmo. Porquê? Porque “voltar ao ritmo” pode gerar uma sensação de perda de controlo sobre o tempo e, consequentemente, levar a alguma irritação, a algum cansaço ou até mesmo a alguma ansiedade. Estas “reações” não são um sinal de incapacidade pessoal, mas uma resposta direta do cérebro a um esforço súbito de adaptação.
Neste sentido, importa compreender que “adaptar-se” não é perder tempo, é dar ao cérebro o tempo que ele precisa para mudar de contexto.
Respeitar o processo de adaptação e compreender que não tem de haver uma mudança dos zero aos cem, de forma imediata, é um modo sustentável de recuperar a energia e prevenir a exaustão. Em vez de tentar alcançar o rendimento máximo logo no primeiro dia após as férias, experimente fazer essa transição de forma gradual: com espaço para reajustar expectativas e para gerir imprevistos normais do regresso.
Lembre-se: o ritmo certo não é o mais rápido, é aquele que consegue manter com equilíbrio.


