A importância de dizer “estou aqui para ti”

“Vai passar.”
“Não penses nisso.”
“Tens de ser forte.”

Estas frases são, muitas vezes, ditas com boa intenção. Quem as diz quer aliviar, encorajar ou proteger. No entanto, quem as ouve pode sentir algo diferente: solidão, incompreensão ou até culpa por não conseguir simplesmente “ultrapassar”.
Na prática clínica, observamos de forma consistente que o sofrimento psicológico começa a diminuir quando é reconhecido. Antes de qualquer estratégia, antes de qualquer técnica, existe uma necessidade: sentir que aquilo que se vive faz sentido.

Quando alguém se sente compreendido, o corpo responde: o sistema nervoso abranda, a respiração regula-se e a tensão diminui. A validação não resolve o problema, mas cria segurança interna e essa segurança é condição para pensar com maior clareza e agir de forma mais adaptativa.
Por outro lado, quando a pessoa sente que deve calar o que sente, acelerar o processo ou apresentar rapidamente uma solução, a pressão interna aumenta. A ansiedade e a autocrítica intensificam-se e o sofrimento tende a prolongar-se.

É por isso que a psicoterapia não é apenas um conjunto de estratégias ou técnicas. O processo terapêutico começa com escuta. Uma escuta ativa, estruturada e sem julgamento. Um espaço onde não há pressa para “ficar bem”, mas disponibilidade para compreender. Só depois surge a construção conjunta de soluções ajustadas à história, aos recursos e ao ritmo de cada pessoa.

Num mundo que valoriza respostas rápidas e desempenho constante, pode parecer pouco, mas, muitas vezes, o que verdadeiramente regula e aproxima é algo simples: “Estou aqui para ti.”

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Sara Cruz

No nosso blog vai poder ler artigos escritos pelas nossas psicólogas sobre temas da atualidade e saúde mental.

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