Por vezes o diálogo em casal é evitado para não gerar conflito. Mas mesmo quando não conversamos, estamos a comunicar! E há uma grande margem para mal-entendidos e distanciamento…
O desgaste da relação não se prende apenas às discussões ou conflitos, mas principalmente à sensação de não sermos escutados, compreendidos e validados emocionalmente. Quando esta sensação é recorrente e persistente, podem surgir sentimentos de cansaço e solidão que afetam negativamente a dinâmica relacional do casal e o bem-estar individual.
Então, podemos questionar-nos: quais as necessidades que não estão a ser atendidas? Muitas discussões não acontecem pelo assunto em si, mas sim devido a questões mais profundas, relacionadas com expectativas frustradas, padrões comunicacionais improdutivos e ausência de mudança.
Por vezes comunicamos repetidamente as nossas inquietações, necessidades e aquilo que nos magoa, mas ainda assim sentimos que o outro não está disponível para escutar, ou recebemos respostas pouco empáticas, que demonstram indiferença. Com o passar do tempo, o desânimo e o distanciamento vão sendo cada vez mais evidentes e com consequências emocionais mais impactantes.
Há casais que deixam mesmo de abordar os assuntos que os incomodam, pois qualquer conversa parece acabar em tensão e conflito. E aqui surge o evitamento, que “camufla o problema” e propicia sentimentos de impotência, frustração e solidão, numa tentativa de fazer parecer que está tudo bem. Os temas difíceis passam a ser gradualmente colocados em segundo plano, e o silêncio passa a ser utilizado como estratégia para evitar discussões.
Importa salientar que o silêncio também desgasta as relações e aumenta o distanciamento emocional. Isto porque o problema não é discutir, mas sim quando as conversas ou discussões se transformam em ciclos de crítica constante, acusação e incompreensão, comprometendo o progresso da relação.
Na terapia de casal, o trabalho passa também pela promoção de competências que permitam comunicar as emoções, necessidades e limites pessoais, sem entrar em ataque, e escutar verdadeiramente o outro. Trata-se de compreender os padrões relacionais existentes que mantêm o conflito e criar condições para uma comunicação mais saudável, com vista ao bem-estar, reciprocidade, compreensão e evolução de ambos na relação.




