Quando o desejo sexual diminui, muitas pessoas assumem automaticamente que existe algum tipo de problema na relação, o que nem sempre corresponde à realidade. O desejo sexual é um fenómeno multifacetado e complexo, influenciado por factores relacionais, mas também biológicos, psicológicos e contextuais.
Em certos casos, o desejo pode ser afectado pela qualidade da relação e da intimidade emocional entre os parceiros1, tornando-se útil refletir sobre a forma como estes se relacionam, comunicam e cultivam momentos de proximidade entre si. Noutros casos, factores como o stress, a ansiedade, ou o cansaço mental podem reduzir a disponibilidade física e emocional para a intimidade1. Além disso, há certas fases da vida em que a diminuição do desejo sexual é relativamente comum, como no pós-parto, na transição para a parentalidade, ou na menopausa, devido às mudanças e exigências que lhes estão naturalmente associadas1.
Dependendo das necessidades de cada pessoa e/ou casal, diferentes abordagens e intervenções podem ser úteis2,3:
Terapia Cognitivo-Comportamental: ajuda a identificar e a modificar crenças, emoções e comportamentos que podem estar a contribuir para a diminuição do desejo, bem como a desenvolver estratégias mais adaptativas para regular as emoções, o stress e a ansiedade;
Mindfulness: promove uma maior consciência do corpo e uma maior atenção ao momento presente, ajudando a pessoa a reconectar-se consigo própria e a lidar com emoções difíceis de forma mais compassiva;
Terapia de Casal: pode ser particularmente útil quando existem dificuldades relacionadas com a intimidade emocional ou com a comunicação entre os parceiros.
Assim, compreender as oscilações do desejo sexual exige uma perspectiva ampla, que considere a diversidade de factores que podem estar a influenciá-lo. Afinal, nem sempre a diminuição do desejo significa falta de afecto ou de atração, podendo antes refletir o excesso de responsabilidades no dia-a-dia, a falta de descanso, a falta de intimidade entre o casal, ou mesmo a necessidade de uma maior ligação consigo próprio.
Referências:
1. Brotto, L., Atallah, S., Johnson-Agbakwu, C., Rosenbaum, T., Abdo, C., Byers, E. S., Graham, C., Nobre, P., & Wylie, K. (2016). Psychological and Interpersonal Dimensions of Sexual Function and Dysfunction. The Journal of Sexual Medicine, 13(4), 538–571. https://doi.org/10.1016/j.jsxm.2016.01.019
2. Brotto L. A. (2017). Evidence-based treatments for low sexual desire in women. Frontiers in Neuroendocrinology, 45, 11–17. https://doi.org/10.1016/j.yfrne.2017.02.001
3. Brotto, L. A., & Basson, R. (2014). Group mindfulness-based therapy significantly improves sexual desire in women. Behaviour Research and Therapy, 57, 43–54. https://doi.org/10.1016/j.brat.2014.04.001




