Com a chegada do verão, é comum surgir uma maior pressão em relação ao corpo e à alimentação. A ideia de “entrar em forma”, comer menos ou controlar mais torna-se muito presente, sobretudo quando se aproxima a época de praia, férias e roupa mais leve.
É nesta altura que muitas pessoas iniciam dietas restritivas. No início, podem parecer eficazes: há uma sensação de controlo, disciplina, motivação e, por vezes, perda de peso ou de volume corporal. No entanto, com o passar do tempo, a restrição começa frequentemente a ter impacto no corpo e na mente.
Quando a alimentação se torna demasiado rígida, o corpo reage. Pode surgir mais fome, maior vontade de comer determinados alimentos, pensamentos constantes sobre comida e maior dificuldade em lidar com aquilo que foi definido como “proibido”. Isto não significa falta de força de vontade. Muitas vezes, é uma resposta natural à privação.
O ciclo da restrição, perda de controlo e culpa
O problema é que se pode instalar um ciclo difícil de quebrar: restrição → perda de controlo → culpa → mais restrição
A pessoa restringe, acaba por comer algo fora do plano, sente culpa e tenta compensar com ainda mais controlo. Mas quanto maior a rigidez, maior tende a ser o risco de voltar a sentir perda de controlo.
Por isso, quando a relação com a comida se torna difícil, talvez a solução não passe por mais regras, mais culpa ou mais exigência. Talvez seja importante compreender o que está por trás desta necessidade de controlo e começar a construir uma relação mais flexível, consciente e cuidadosa com a alimentação.
Cuidar da alimentação não precisa de significar viver em guerra com a comida ou com o corpo. Pode significar aprender a escutar necessidades, reconhecer sinais de fome e saciedade, permitir prazer e reduzir a culpa.
Quando procurar ajuda?
Pode ser importante procurar apoio psicológico quando a comida, o peso ou o corpo começam a ocupar demasiado espaço no dia-a-dia, quando existe culpa frequente depois de comer, quando há episódios de perda de controlo ou quando a alimentação se torna uma fonte constante de ansiedade.
A ajuda psicológica pode ser importante para compreender o ciclo que se instalou, identificar os pensamentos e emoções associados à alimentação, trabalhar a culpa e desenvolver uma relação mais flexível e compassiva com a comida e com o corpo.
Com a chegada do verão, talvez a resposta não tenha de ser comer menos, controlar mais ou exigir mais de si. Talvez possa ser um convite a cuidar melhor da relação que tem com a comida e consigo.




