Quando uma relação termina, não há apenas o confronto com a perda da pessoa. Acaba um “nós”, um plano a dois, um hábito, uma rotina, a segurança e o conforto que se sente por se ter a pessoa na sua vida e, por vezes, até há uma parte da identidade que se dissipa. Por isto mesmo, é que o fim dói tanto, mesmo quando já se sabia que a relação não estava a funcionar. O término leva a que a pessoa se depare, quer com a ausência do que existiu e fazia parte do dia a dia, quer com tudo aquilo que sonhava e planeava que poderia existir e que não vai acontecer.
Uma separação e/ou um divórcio implica um processo de luto. Luto? Mas não morreu ninguém. Sim, mas o luto não acontece apenas como consequência da perda de alguém que morreu. É uma reação natural de adaptação a uma nova realidade decorrente de uma perda significativa e o fim de uma relação acaba por ser uma perda significativa. Ao longo do processo de luto, de uma forma natural, são diversas as reações emocionais que vão surgindo mas todas elas são importantes, podendo ser intensas e até contraditórias mas cada um delas tem um papel específico na adaptação à perda. Este processo acarreta diferentes desafios e não tem um tempo certo, por isso mesmo, é importante não ter pressa, apesar da vontade ser muita de recuperar rapidamente. Cada um de nós tem direito ao seu processo de luto e todos os processos são diferentes.
A pessoa experiencia diversas mudanças no seu dia a dia e sobreviver ao fim da relação começa pela aceitação que todas estas mudanças envolvem perdas e que toda a perda envolve algum grau de dor. É fundamental manter por perto pessoas significativas para si, podendo estas ser um apoio e um “colo” emocional importantes no decorrer do processo, diminuindo a tristeza, raiva, ansiedade e sensações de vazio e confusão que se podem manifestar espontaneamente. Poder ter o devido acompanhamento nas várias fases fará toda a diferença.
É importante reforçar que, apesar da dor poder ser acentuada, a mesma não é permanente. Com o tempo, vão sendo feitos os ajustes necessários, estabelecem-se novas rotinas e hábitos, criam-se planos e surgem novos significados que possibilitam a pessoa de continuar a viver a sua vida, abrindo espaço para um novo começo, estando subjacente um processo de aprendizagem e de redescoberta.
O caminho não é fácil mas a dor acaba sempre por passar.




